Professora do curso de Letras, Língua Inglesa, da Universidade do Estado do Pará (UEPA). Conduziu o projeto Rádio Rec Tec de 2014 a 2017, na disciplina Recursos Tecnológicos no Ensino de Língua Inglesa.
O que a turma precisava
Os livros didáticos de inglês costumam trazer diálogos artificiais, que ensinam a regra gramatical e deixam de lado como a língua falada funciona de verdade. Eu queria que os futuros professores praticassem a oralidade e entendessem, na prática, que a fala improvisada também tem organização.
Em 2014, eu dava a disciplina Recursos Tecnológicos no Ensino de Língua Inglesa e também Inglês II, com foco em leitura e escrita. No cruzamento das duas, criei com a turma o projeto Rádio Rec Tec: em grupos, os alunos produzem podcasts que possam servir à comunidade onde vão dar aula e a outros professores.
Por que um programa de rádio
O roteiro de rádio parece improviso, mas tem uma organização própria, com linguagem clara e simples. Ao escrever e gravar um programa, o aluno pratica a pronúncia, a entonação e a escolha de vocabulário pensando em quem vai ouvir.
O projeto também exige trabalho em grupo do começo ao fim: escolher o tema, dividir as funções, selecionar as trilhas de fundo e revisar os roteiros. Combinei com as turmas que nenhum erro de gramática ou de pronúncia seria usado para expor ou ridicularizar um colega.
Como a aula aconteceu
- 1O gênero roteiro de rádio
A turma estuda o roteiro de rádio e as características da fala improvisada nesse meio, para perceber que ela tem uma organização própria.
- 2Leituras sobre oralidade
Os alunos leem sobre competência pragmática, interacional e sociolinguística, e sobre como a fala tem sido ensinada nas aulas de inglês.
- 3Os grupos e o programa
A turma se divide em grupos. Cada grupo apresenta o nome do podcast, o propósito e a função de cada integrante, e escolhe o tema e as trilhas de fundo.
- 4Roteiros e ensaios
Os grupos escrevem os roteiros e ensaiam comigo em sala, nas aulas dedicadas ao projeto. A revisão dos textos e a correção da pronúncia acontecem de forma colaborativa.
- 5Gravação
Os grupos gravam os programas, primeiro em sala com microfone e computador e, a partir de 2016, nos próprios celulares. Os podcasts vão para o SoundCloud do projeto.
Microfone, computador com programa de áudio ou celulares dos alunos
“Trabalhar produtiva e criticamente não significa trabalhar sem solidariedade.”
O que aconteceu e o que eu mudaria
De 2014 a 2017, as turmas produziram podcasts sobre esportes, dicas de leitura e entretenimento, com comerciais criados pelos próprios alunos. Em 2017, uma turma gravou até uma radionovela.
Nas primeiras edições, as gravações aconteciam em sala, com o meu equipamento de home studio. Como gravar e regravar tomava muito tempo, a partir de 2016 pedi que os grupos gravassem nos próprios celulares, para editar e revisar com mais calma.
Ao longo das edições, os alunos criaram estratégias para apoiar uns aos outros. Alguns também escreveram artigos sobre a experiência, e a edição de 2015 virou um artigo que escrevi com um dos alunos participantes.
Para ouvir e ler mais
Podcasts do projeto: soundcloud.com/projetoradiorectec
SILVA, Erika; e um aluno participante. A criação de programas de rádio em aulas de EFL. Revista Contexturas/APLIESP, n. 24.
KOCH, Ingedore Villaça. Desvendando os segredos do texto. São Paulo: Cortez, 2002.
Prática de Profa. Erika Silva. Edição da equipe Práticas Educacionais. Uso livre e gratuito, com crédito à autoria.