Os diretores Cátia Cunha e Felipe Nóbrega contaram a atividade criada e aplicada pelos professores Elaine Cândido, Leonardo Machado, Mariana Inácio, July Bezerra, Neli Pedroso, Thaisa Gomes, Wikler Gomes, Débora Ferreira e Michelle Valle, numa escola municipal de Educação de Jovens e Adultos.
O que a turma precisava
Na nossa escola de EJA, os professores enfrentam todos os dias o desinteresse e a indisciplina, e disputam a atenção dos alunos com um mundo de atrativos fora da escola. Seguindo o modelo tradicional, perdíamos essa batalha.
Para mudar isso, o time de professores juntou a pedagogia de projetos com a gamificação e propôs que os alunos construíssem o próprio jogo, usando as fases da vida como tema.
Por que construir um jogo
Num projeto, o aluno trabalha em grupo, tem autonomia e discute temas ligados à realidade dele. O jogo traz para a sala uma linguagem que os alunos já conhecem: regras, desafios, riscos e a chance de errar e tentar de novo.
Ao construir o tabuleiro e escrever os comandos das casas, os alunos usam o que viveram e o que imaginam das fases da vida que ainda não passaram.
Como a aula aconteceu
- 1O perfil da turma
O professor observa o nível de atenção da turma para decidir quantas casas o jogo terá e qual será a dificuldade das perguntas. Também decide se o jogo será de tabuleiro, com peões e dados, ou em tamanho real, na quadra.
- 2Sensibilização
A turma assiste a um vídeo curto sobre as transformações de uma pessoa ao longo da vida e conversa sobre as dificuldades e os desafios de cada fase.
Vídeo curto sobre as fases da vida - 3Um jogo de tabuleiro como modelo
O professor apresenta um jogo de tabuleiro conhecido para a turma entender as peças e os comandos. Se puder, monte antes um Jogo da Vida em tamanho real e jogue com a turma.
- 4A construção em grupos
Cada grupo de seis alunos divide as funções: um constrói o tabuleiro, um escreve os comandos das casas, um cria as regras, um faz a moeda do jogo, um prepara peões, dados e cartas, e um leva as dúvidas do grupo ao professor e apresenta o jogo no fim.
Papel cartão, cartolina, EVA ou papel kraft, canetas, tesoura e cola - 5Apresentação e troca
O representante de cada grupo apresenta o jogo, as dificuldades e os desafios da construção. Depois, os grupos trocam os jogos em sentido horário e jogam.
“Prepare-se para deparar-se com a vida de cada um e utilize desse jogo para mergulhar além da mente, no coração desses alunos.”
O que aconteceu e o que eu mudaria
Os alunos se envolveram na construção dos jogos, e o que mais marcou a equipe foi a troca de experiências. Para escrever os comandos, eles trouxeram as próprias histórias, e os professores conheceram as alegrias e as tristezas que muitos daqueles jovens viviam no dia a dia.
Os trabalhos finais foram apresentados na Feira da EJA da escola. Numa das versões, a equipe montou o tabuleiro no chão da quadra, e os próprios alunos foram os peões.
Se a turma tiver dificuldade para definir a temática ou se o tempo for curto, peça que cada grupo faça o jogo sobre a fase da vida que está vivendo: infância, adolescência, vida adulta ou velhice.
Referências
MORAN, José. Mudando a educação com metodologias ativas. 2015.
BARBOSA, Maria Carmen Silveira; HORN, Maria da Graça Souza. Projetos pedagógicos na educação infantil. Porto Alegre: Artmed, 2008.
Prática de Cátia Cunha e Felipe Nóbrega. Edição da equipe Práticas Educacionais. Uso livre e gratuito, com crédito à autoria.